Houve um tempo em que pensei não ter sido feita para grandes causas, mas tenho aprendido que toda causa é grande o suficiente quando sai da mediocridade do individualismo... Não posso ter nascido para a contemplação; quero abrir os braços e abraçar o máximo que alcançar...
Um dia, há muito tempo, acordei com um barulho embaixo da minha cama. Parei, escutei. Era uma conversa estranha entre dois seres mais estranhos ainda. Pasmem: um dos seres era a letra A, o outro a letra Z. Elas discutiam seriamente a respeito de como envolver uma certa pessoa nos planos delas. Franzi a testa extremamente preocupada: 'Que estão essas duas maluquinhas planejando?' Apoiei o queixo nas mãos - como sempre faço quando quero prestar atenção e pensar ao mesmo tempo. Continuei ouvindo os planos delas. Ria muito... Elas eram loucas... Pensavam em pular na banheira da tal pessoa quando ela estivesse no banho... achavam que iam grudar na pele. Discutiram por horas até que uma delas - se não me falha a memória foi a letra A - concluiu que a melhor forma para alcançar efetividade no plano seria alcançar o coração. 'Mas, como alcançar o coração?' - foi a dúvida seguinte. Muito espertamente, a letra Z deu seu ultimato: 'Vamos agir lentamente no conhecimento, de modo a deixá-la nos sentir... o coração é terra que só se alcança pelo conhecimento. Se conseguirmos isso, ficaremos para sempre com ela”. Contaram até três e pularam em minha cama. Levei um susto. Mas, logo me acostumei. De lá para cá, temos andado juntas, eu e as letras. Algumas vezes as empurro para o lado e digo que estou muito ocupada para dar-lhes atenção; elas não se importam, riem e dizem: 'Estamos no seu coração'.
"...os poemas pressupõem um tipo de leitor disposto a enfrentar a linguagem para, de maneira intransitiva, transitiva direta ou indireta, conhecer, usufruir sensações..." - Beth Brait
"Na classificação de autores, Shakespeare vem em primeiro lugar e o próximo em décimo..."
“Bambu-chinês - Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo. Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas... uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º ano, o bambu-chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.”
Há coisa que deve crescer assim: internamente por um tempo e, no tempo próprio, se expor!
ALL I WANT IS YOU – U2
You say you want diamonds on a ring of gold
You say you want your story to remain untold.
All the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you.
You say you'll give me a highway with no-one on it
Treasure, just to look upon it
All the riches in the night.
You say you'll give me eyes in the moon of blindness
A river in a time of dryness
A harbour in the tempest.
All the promises we make, from the cradle to the grave
When all I need is you.
You say you want your love to work out right
To last with me through the night.
You say you want diamonds on a ring of gold
Your story to remain untold
Your love not to grow cold.
All the promises we break, from the cradle to the grave
O chão árido marcava aqueles pés que já haviam percorrido alguma distância entre o saber e o divisar. Sua mente, porta aberta das descobertas, se adaptava ao clima para dar a seu corpo a chance de sobreviver. Sabia que morria um pouco a cada dia, mas quem não o faz para renascer? Seu destino estava perdido em meio às folhas de um livro e sua calma era resultado da conformação. Dir-se-ia que caminhava sem ter direção, mas assim não era; caminhava para a única direção que apontava um lugar a chegar. Teve vontade de chorar, mas entendera que suas lágrimas não seriam suficientes para amolecer marcas tão profundas; deveria sim, deixar-se secar, recebendo daquele solo uma lição de vida que marcaria para sempre seu destino em andamento...
Algumas vezes libertamos o que nos vai ferir na próxima esquina. Quando isso acontece, não adianta colocar a mão nos olhos, negar ou fazer de conta que tudo está ganho. Waterloo está perdida, mas outras batalhas virão...
É calmaria na alma que aceita que a cavalaria não virá para socorrer, não haverá cavalo branco nem declarações fervorosas, apenas a liberdade de não mais chorar por não se ter o que não foi destinado a pertencer. Livre fica aquele que nunca se quis prender...
Perder-se por ofertar-se é, talvez, a maior das vitórias.
A despeito da inteligência, há no poeta um quê de modorrento... deve ser porque poesia se faz dormindo. Sim. Mesmo aquelas que desatam as desgraças da guerra. Que outra explicação para quem fica tecendo versos enquanto o mundo explode?! Reina o silêncio e isso não é sinal de guerra?! Como não?! Se a própria guerra é o silêncio. Silêncio da luz. Os homens ficam no escuro e não vêem o que estão a explodir... Mas o que tem a ver a guerra com o poeta e isso tudo de silêncio?! Não sei... Acho que é porque quero dar colo a um poeta adormecido para que ele me embale ao som dos seus versos.
Será possível atravessar uma avenida ignorando um buraco enorme que está bem no meio do caminho?! Sim... Alguns caminhos têm pedras, outros têm buracos... Outros são apenas caminhos. Ninguém deve negar a beleza de um caminho rústico, ainda mais quando traz o suspiro de ser o certo.
Há um do lado direito daquela avenida querendo chegar ao lado esquerdo para encontrar quem está lá. Ambos têm conhecimento do buraco. O que quer atravessar sabe do buraco e quer atravessar assim mesmo. Depois pensa nas conseqüências. Quem espera sabe do buraco e teme por aquele que atravessa. Sabe que se cair ali, pode não sobreviver.
Não dá para atravessar grandes avenidas saltando; é preciso arriscar. E nesse vai, não vai... Nem um atravessa, nem o outro acha uma solução. Não é medo, é cuidado. Demais até! Enquanto isso, os carros passam em alta velocidade, as pessoas passam correndo, os cachorros passam latindo... Só não passa o desejo de chegar ao outro lado.