Bailar das Letras - UOL Blog





A água chia no púcaro que elevo à boca

Fernando Pessoa

 

A água chia no púcaro que elevo à boca.

«É um som fresco» diz-me quem me dá a bebê-la.

Sorrio. O som é só um som de chiar.

Bebo a água sem ouvir nada com a minha garganta.



 Escrito por bailarina das letras às 14h37
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“Any healthy man can go without food for two days – but not without poetry.”

 

Charles Baudelaire



 Escrito por bailarina das letras às 14h18
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Poesia

Carlos Drummond de Andrade

 

Gastei uma hora pensando em um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.



 Escrito por bailarina das letras às 20h32
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A lágrima

 

- Faça-me o obséquio de trazer reunidos

Cloreto de sódio, água e albumina...

Ah! Basta isto, porque isto é que origina

A lágrima de todos os vencidos!

 

-"A farmacologia e a medicina

Com a relatividade dos sentidos

Desconhecem os mil desconhecidos

Segredos dessa secreção divina"

 

- O farmacêutico me obtemperou. –

Vem-me então à lembrança o pai Yoyô

Na ânsia física da última eficácia...

 

E logo a lágrima em meus olhos cai.

Ah! Vale mais lembrar-me eu de meu Pai

Do que todas as drogas da farmácia!

------------------

In "Augusto dos Anjos: Poesia e Prosa", de Zenir

Campos Reis, Ed. Ática, São Paulo, 1977.



 Escrito por bailarina das letras às 19h21
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João e Maria

Música: Sivuca

Letra: Chico Buarque

 

Agora eu era o herói

E o meu cavalo só falava inglês

A noiva do cowboy

Era você

Além das outras três

Eu enfrentava os batalhões

Os alemães e seus canhões

Guardava o meu bodoque

E ensaiava um rock

Para as matinês

 

Agora eu era o rei

Era o bedel e era também juiz

E pela minha lei

A gente era obrigado a ser feliz

E você era a princesa

Que eu fiz coroar

E era tão linda de se admirar

Que andava nua pelo meu país

 

Não, não fuja não

Finja que agora eu era o seu brinquedo

Eu era o seu pião

O seu bicho preferido

Vem, me dê a mão

A gente agora já não tinha medo

No tempo da maldade

Acho que a gente nem tinha nascido

 

Agora era fatal

Que o faz-de-conta terminasse assim

Pra lá desse quintal

Era uma noite que não tem mais fim

Pois você sumiu no meu mundo

Sem me avisar

E agora eu era um louco a perguntar

O que é que a vida vai fazer de mim



 Escrito por bailarina das letras às 09h56
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