
-
Sabe, eu pensei tanto. Eu acho que.
-
Ela se voltou de repente. E disse:
-
Eu também. Eu acho que.
Ficaram
se olhando. Completamente dourados, olhos úmidos. Seria a brisa? Verão pleno
solto lá fora.
Bem
perto dela, ele perguntou:
-
O quê?
Ela
disse:
-
Sim.
Puxou-o
pela cintura, ainda mais perto.
Ele
disse:
-
Você parece mel.
Ela
disse:
-
E você, um girassol.
Estenderam
as mãos um para o outro. No gesto exato de quem vai colher um fruto
completamente maduro.
(Caio F. de Abreu do livro: Os Dragões Não Conhecem o
Paraíso)
Escrito por bailarina das letras às 21h29
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