
Em sonho
Deitada ali na relva, ela ficou pensando, lembrando do que passou e tentando encontrar a razão do seu erro, se é que essa razão existia. Em qual momento havia crido que poderia ser diferente; em qual momento achou que pudesse fazer diferença num mundo onde tudo segue exatamente o mesmo círculo de ações imutáveis. Sempre soube que não poderia mudar o que já vem estabelecido, mas quis acreditar que seu olhar poderia mudar o mundo... Talvez tenha esquecido de olhar na hora certa... talvez.
De seus pensamentos tristes surgiu uma imagem bela. Um cavalo, lindo, forte, arisco... Ele cavalgava como um dia havia imaginado em seus melhores sonhos... nas asas do vento. Foi acompanhando seu galope com um encanto perturbador. Por um tempo não soube dizer se era sonho ou real, sabia que não queria vê-lo parar, apenas queria ir junto e sentir o vento em suas asas invisíveis. Sentiu seu coração bater no mesmo ritmo do seu alazão de sonhos, sentiu seus passos leves como quem foi para não mais voltar... e foi.
De súbito, viu a flecha atravessar o ar e perfurar seu peito, atravessando-a de um lado a outro. Sua roupa branca era agora um lenço escarlate e de seus olhos fugiram o brilho. O flecheiro a olhava e sorria pensando consigo mesmo: isso é por ousar voar sem minha permissão. E tudo perdeu a cor...
Escrito por bailarina das letras às 14h33
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