Bailar das Letras - UOL Blog





 

"Com efeito, poderia alguém, de boa vontade, fiar-se em vós, vendo-vos injustos para com aquele que mais razões tendes para amar?"

(Ciropedia - A educação de Ciro - Xenofonte - tradução de João Félix Pereira)



 Escrito por bailarina das letras às 13h41
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Dá saudade a lágrima que não desce.

Suspira alma: um dia olharás e verás claramente o fruto de uma semente de luz. Não acredita que estás só porque nunca estiveste; tens a ti mesmo que sempre sabe o que precisa ouvir. Fala tu mesmo. E ouve-te. Diz pra ti mesmo do teu amor e então chora. Chora por ti e por quem mais precisar das tuas lágrimas. Só não faz silêncio para ti mesmo, porque sabes que precisas de palavras...

 

O Dr. Milmales esperava Tistu atrás de sua grande mesa niquelada, repleta de livros.
- Então, Tistu - perguntou ele - que foi que você aprendeu? Que sabe de medicina?
- Aprendi - respondeu Tistu - que a medicina não pode quase nada contra um coração muito triste. Aprendi que para a gente sarar é preciso ter vontade de viver. Doutor, será que não existem pílulas de esperança?
O Dr. Milmales ficou espantado com tanta sabedoria num garoto tão pequeno.
- Você aprendeu sozinho a primeira coisa que um médico deve saber.
- E qual é a segunda, Doutor?
- É que para cuidar direito dos homens é preciso amá-los bastante.

in Druon, Maurice. Tistu - O menino do dedo verde (Tistou Les Pouces Verts - 1957)

*Descaradamente roubado, mantendo a pista da vítima.



 Escrito por bailarina das letras às 21h27
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As muitas flores conversam

no silêncio do jardim:

Todos que passam me aspiram!

Diz a primeira. O jasmim.

Eu reino como rainha

e sou por isso orgulhosa,

Qual outra a mim se compara?

pergunta, insolente, a rosa.

 

Da orquídea sofisticada

à repetitiva hortênsia,

gabam todos seus encantos

numa fútil concorrência.

 

Porém, oculta entre as folhas,

uma flor nos desconcerta:

a violeta quer dar-nos

o prazer da descoberta.

 

D. Marcos Barbosa, poeta

 


 

Vem, algumas vezes, a inspiração da pena de outro e do esforço de alguém que quer ver feliz, sempre... paga o que for preciso por um simples e distante sorriso. E oculta fica a flor porque não sabe mais crer na capacidade de jardinar. Paciente é o jardineiro, que sentado triste em sua solidão, olha docemente a flor e derrama uma lágrima misturada com suor. E na pétala cai, como um símbolo de amor, e lembra à sua alma de mulher e sonhos de menina que talvez possa ser diferente, que talvez haja mãos que se vestem de verde.



 Escrito por bailarina das letras às 22h48
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