Bailar das Letras - UOL Blog





Eu li em um blog sobre como, todos os anos, centenas de mulheres de Bangladesh são desfiguradas para a vida, vítimas de ataques com ácido. Na maioria das vezes pelo próprio marido, aquele que deveria amar e cuidar. Os motivos: dote insuficiente, querer viver com uma criança de nove anos prometida para casamento, para não esperar a puberdade, etc. Se alguém disser para um desses homens que eles estão errados, será que eles aceitariam? Quantas pessoas são deformadas, na alma e no corpo, porque tudo que importa é ver a própria vontade satisfeita. Podemos dizer: é assim mesmo e sair apontando o dedo para todo mundo que não se preocupa com o outro... ou... podemos pensar: como eu posso agir de uma forma que não deforme as pessoas? Como eu posso deixar boas marcas? Acho que devo ao menos tentar ouvir mais, entender mais, sem tentar fazer o lance que ouvi lá no curso: “Nossa mente adapta as percepções para manter o que pensamos anteriormente”. Se bem que é mais fácil se compadecer de quem está em Bangladesh, lamentar por essas pessoas, se compadecer de quem morre no frio longe de nós do que cuidar das pessoas que podemos alcançar e separar um cobertor ou casaco para ir até onde tem alguém com frio... Mas é por isso que eu vou me acomodar??? Melhor morrer. 



 Escrito por bailarina das letras às 13h57
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Vi tuas lágrimas.

E chorei.

 

“se isso não for amor

o oceano secou

o sol não é real

não há estrelas no céu

as andorinhas não voam mais

tudo perde o valor

se isso não for amor...”



 Escrito por bailarina das letras às 09h22
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A Bailarina aprende novos passos...

Imagem: Wihelm Gorre

 

Entre os muitos cursos técnicos que tenho participado ultimamente, para me equipar e enfrentar um novo desafio, hoje fiz um sobre marketing. Mais uma vez eu confirmei: meu defeito é pensar!

 

Por um lado foi legal aprender como funciona toda a estrutura que faz um produto ser criado e chegar até a mão do consumidor, mas por outro dá uma frustração ver as pessoas como peixes que caem em qualquer rede que atenda caprichos que nem elas sabem que têm, mas o estudioso da massa descobriu o fraco e ataca. Se bem que, como indivíduo, com o defeito que acabei de mencionar... Nem a pau eu compro aquilo que todo mundo está comprando só por causa da propaganda. Mas eu não sou todo mundo, sou só EU.

 

Anotei umas coisinhas legais que foram ditas (lógico!!! a parte que lembrava literatura). (Isso tá com uma cara de ‘meu diário’, mas vamos nessa...)

 

“Nossa mente adapta as percepções para manter o que pensamos anteriormente” – ou seja, somos tolos e preconceituosos. Um exemplo: você vai ao mercado sabendo que Confort é o amaciante mais caro (é? – o professor disse que é)... mas nesse dia o preço dele caiu e ficou mais barato que o mais barato. Em lugar de aproveitar e levar, já que é muito bom, você prefere levar ‘desgomex’, que é uma porcaria, mas sempre foi mais barato... e para explicar sua escolha, você começa a arrumar justificativas.

 

Outra...

 

“A palavra é que aciona nossas reações pessoais” – putz! Foi feita para mim essa frase. Eu acho que sou mais movida pelas palavras do que por alimento e água. Talvez isso seja um defeito. Se eu não fosse assim, não teria sentido o tapete que me puxaram com força e me fez bater de cabeça no chão... pense numa dor que demora para começar a doer...

 

A última...

 

A frase “uma imagem vale tanto quanto mil palavras” – com a variação de ‘mais que’ – teria sido escrita por Confuso, porque a verdadeira frase de Confúcio teria sido “uma imagem vale tanto quanto mil peças de ouro”. Isso é bem legal porque faz uma diferença tremenda. Não é feita uma comparação de imagem e palavra, porque cada elemento tem seu valor próprio, mas a imagem é avaliada em termos de valor em si mesma.

 

Por enquanto é só.



 Escrito por bailarina das letras às 12h53
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Conto um conto

ou

Esboço de um pequeno livro

 

Entender o que acontece é o

primeiro passo para aceitação.

Srta. De

 

Era uma vez... eram duas, três, quatro, cinco... eram várias vezes. Existia um jovem que, ao olhar-se no espelho, via sua máscara cair, máscara essa que usava para se apresentar em público e ter boa aceitação. Triste por não poder mostrar sua verdadeira face, quis fazer algo para compensar as pessoas por não vê-lo como realmente era. Pensou, pensou... resolveu que diria a verdade para elas, diria que não era quem parecia ser. Levou um susto com a reação das pessoas. Elas não acreditavam na verdade que ele dizia, pior, preferiam acreditar no que ele parecia ser e ainda defendiam esse jeito irreal de ser.

 

Não dava para entender... como podia ser isso?! Desconhecia ele o fato de que a solidão fazia as pessoas preferirem não enxergar para não terem o trabalho de elaborar uma aceitação. Além disso, todos queriam ser louvados, e no mundo dos louvores tudo é louvável, até o deslouvável. Era preferível aceitar a máscara, e até incentivavam o uso, do que enfrentar uma face piegas com a qual não sabiam lidar. Diante da impossibilidade de tirar a máscara, que a essa altura já estava tão bem grudada na face dele que já se tornara parte dele, resolveu aceitar quem era, e quem não era.

 

Um certo dia, o jovem conheceu alguém que conseguia ver, por trás de sua máscara, a verdadeira face. Ele a odiava, afinal como ousava ver o que nem ele mesmo conseguia mais?! Como tudo que causa desconforto, era preciso destruir tal existência. Sem pensar, buscou seu ponto fraco: o amor que ela sentia por ele. E foi lá que resolveu atacar para vencer e destruir. Ele estava sempre em conflito: “Como poderia alguém amá-lo sendo ele tão insignificante?” – Até esse ponto, não teria sido dito que a visão de mundo do jovem era medida pelo valor da bolsa preta (dele)...

 

Pois bem, tentou Narcissus – também, até esse ponto, não teria sido dito o nome do jovem – destruir aquela que seria sua chance de se tornar real, com qualidades e defeitos. Mais qualidades do que defeitos. Para seu espanto, quanto mais ele tentava destruir aquela criatura, mais forte ela se tornava. Não dava mais! Aquele ser com aspecto de porcelana e resistência de alabastro havia destruído seu conforto. Só havia uma solução: fugir! Pegou seu chapéu de pele de touro, vestiu-se da melhor roupa e foi para bem longe, para perto dos que pudessem fazê-lo sentir-se confortável novamente.

 

O jovem desconhecia o que o aguardava em terras remotas: a continuação do nada. Cercado de toda a adoração e louvores, passado o primeiro encanto, ele voltou a se sentir só; de uma solidão solitária, cheia de palavras borbulhantes, mas que não passavam por sua porta interior. Sorria a perder de vista... falava de si e não se via, cada vez mais se perdia... Não podia voltar para corrigir seus erros, nem aceitá-los, era covarde demais para qualquer ação que não fosse a planejada. Todas as vezes que olhava para cima via os olhos daquela que o amava, era um olhar triste, mas sem lágrimas, e ele sentia pavor de si mesmo. Não tinha coragem de pedir ajuda e aceitou-se covarde e foi viver na covardia de cada dia.

 

O tempo foi passando... passando... passando... as rugas foram chegando, suas mãos tremiam, suas pernas se tornaram fracas, seus olhos embaçados. Enterrou muitas pessoas boas... e voltava para casa vazio de si mesmo. Queria morrer e não podia. E agora era tarde demais para pedir ajuda. Sabia que o mínimo de coragem teria feito sua existência diferente. Vivera tanto e nunca perdera a visão da jovem de pés descalços e olhar triste... a via sempre de partida... e parecia ter existido somente em seus sonhos. Ele lembrava da paz que sentia com ela, mas escolheu viver na guerra. Em volta de si, muitos cadáveres; todos matados por ele... e nem chegou a pegar em uma arma. A única arma que usou foi contra si mesmo...

 

Fim



 Escrito por bailarina das letras às 06h29
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Eu recomendo:

“Quem sabe se também ele não tem somente a aparência de um homem superior?”

Ela abominava a falta de caráter; era a única objeção que tinha contra os belos rapazes que a cercavam.

...

“No meio de tantos perigos, resta-me EU”.

(O Vermelho e o Negro - Stendhal)



 Escrito por bailarina das letras às 16h45
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Ele, esse meu amigo que tem amizade com as palavras e descreve seu mundo de forma infinita, tem no meu coração livre acesso. Quando ele diz que é bom, eu vou ver rapidinho; quando ele não diz... nem precisa, eu entendo o que não foi dito como se dito fosse. Correr as suas palavras e o conjunto de imagens que constitui seu espaço é, para mim, uma viagem que venho fazendo há anos. Veio dele para mim, como um presente, a indicação de meu blog como um espaço que faz pensar. Esse é um verbo que eu gosto e, como companheiro de idéias, ele bem sabe disso. Sabe também, se não sabia sabe agora, que, ao considerá-lo especial, não atribuo a ele uma qualidade, e sim, atribuo à palavra especial um valor qualitativo imenso. Para ele meu recadinho:

- Ery, só para você não pensar que tudo isso é pura verborragia: te gosto de montão!!!

 

Devo tentar fazer um pouquinho de justiça e deixar aqui uma indicação de outro ‘blogue’ que também faça pensar. Eu poderia indicar todos da minha lista e mais alguns, mas aí não haveria destaque em nenhum deles... Então fiz a opção por um cujo pensar é amplo, é um pensar que considera as diferenças, que respeita valores, e nesse caminho, traça um pensamento que se abre para os demais... É um outro espaço que acompanho também há anos e onde tenho aprendido muita coisa. Nossa amizade tem sido motivo de muito pensar, e contribuímos um com o outro no nosso partilhar de cada dia. Do meu amigo de terras distantes, e tão próximo do sentimento: Oficina da Idéias – o nome já fala por si.

 

Victor, deixo para você o selo que também recebi:



 Escrito por bailarina das letras às 20h53
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Angkor Wat
The largest Hindu Temple in the world

Vê aquele ponto lá distante? Eu vejo dois pequenos vultos... somos nós. Você me explicando a história do templo; passamos pelo lago, jogamos uma pedrinha e cumprimos o desejo de um abraço em um lugar tão inimaginável até então; seguimos pelos caminhos que se mostram a nossa frente e nos deparamos com estátuas que nos fazem erguer juntos o olhar , eu seguro sua mão mais forte para sentir que não vou te perder nesse vôo; continuamos olhando as imagens esculpidas e você me explica a história de Ramayana que você leu bastante a respeito só para me causar boa impressão, e eu rio com seus comentários engraçados diante de algumas imagens tão inusitadas para nós, e você continua seus comentários cada vez mais engraçados simplesmente porque você se apaixonou pelo meu sorriso e me quer sorrindo sempre... (pausa) Nós pensamos: “Onde estávamos com a cabeça que não fizemos isso antes? Temos ainda muitos lugares para visitar e o tempo agora é bem mais curto”... Eu não sei sua resposta, porém eu já tenho a minha, mas só digo no dia que você me provar que nossa história nunca será uma história qualquer, que será em alto relevo e monumental como toda grande história... Como se faz uma grande história?! Simples! Com pequenas coisas.



 Escrito por bailarina das letras às 09h31
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