
A descoberta das letras
Um dia, há muito tempo, acordei com um barulho embaixo da minha cama. Parei, escutei. Era uma conversa estranha entre dois seres mais estranhos ainda. Pasmem: um dos seres era a letra A, o outro a letra Z. Elas discutiam seriamente a respeito de como envolver uma certa pessoa nos planos delas. Franzi a testa extremamente preocupada: 'Que estão essas duas maluquinhas planejando?' Apoiei o queixo nas mãos - como sempre faço quando quero prestar atenção e pensar ao mesmo tempo. Continuei ouvindo os planos delas. Ria muito... Elas eram loucas... Pensavam em pular na banheira da tal pessoa quando ela estivesse no banho... achavam que iam grudar na pele. Discutiram por horas até que uma delas - se não me falha a memória foi a letra A - concluiu que a melhor forma para alcançar efetividade no plano seria alcançar o coração. 'Mas, como alcançar o coração?' - foi a dúvida seguinte. Muito espertamente, a letra Z deu seu ultimato: 'Vamos agir lentamente no conhecimento, de modo a deixá-la nos sentir... o coração é terra que só se alcança pelo conhecimento. Se conseguirmos isso, ficaremos para sempre com ela”. Contaram até três e pularam em minha cama. Levei um susto. Mas, logo me acostumei. De lá para cá, temos andado juntas, eu e as letras. Algumas vezes as empurro para o lado e digo que estou muito ocupada para dar-lhes atenção; elas não se importam, riem e dizem: 'Estamos no seu coração'.
Escrito por bailarina das letras às 11h35
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